A Celebração Eucarística Parte por Parte

Ritos Iniciais

Quando os fiéis estiveram reunidos, uma pessoa devidamente preparada (comentarista) acolhe os participantes, dá-lhes as boas-vindas e diz, em breves palavras o motivo da celebração.

Procissão e Canto de Entrada: o canto deve expressar a alegria de quem vai participar da Eucaristia, e precisa levar em conta as características do tempos litúrgicos (advento, natal, quaresma, etc.), e o tipo de assembleia (há significativa diferença entre uma missa com adultos, às 7:00 horas da manhã, e uma missa com crianças às 10:00 horas!). De preferência se faça a procissão pelo corredor central da igreja. Os coroinhas vão à frente do presidente da celebração.

Quando se utiliza o incenso, o padre incensa o altar e a cruz.

Saudação do Presidente da Celebração: o presidente da celebração começa a fazendo o sinal-da-cruz, pronunciando (ou cantando) as palavras Em Nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. É importante que quem preside de ênfase a esta saudação a fim de que as palavras expressem, o que na realidade contêm, ou seja, que todos estão ali reunidos em nome da Trindade.

Ato Penitencial: os membros da assembleia, pelo ato penitencial, expressam sua franqueza, fazem um ato de humildade e invocam o perdão e a ajuda de Deus, a fim de poder ouvir com maior proveito sua Palavra e comungar mais dignamente o Corpo e Sangue de Cristo.

Glória: é um antiguíssimo e venerável hino com que a Igreja, congrega no Espírito Santo, glorifica a Deus Pai e o Cordeiro e lhes apresenta suas súplicas. E um cântico completo, no qual há louvor, entusiasmo, “um cântico transbordante de alegria, confiança, humildade, e que dá ao início da Eucaristia um tom de festividade: o olhar da comunidade está posto na glória de Deus” (Dionísio Borobio. A Celebração na Igreja – 2. Os Sacramentos). Por isso, os novos tempos para ser cantados devem respeitar seu conteúdo original, ou seja, o aspecto trinitário. Não é porque um canto contém a palavra “Glória” que serve para o Hino de Louvor!

Oração Inicial: é a primeira oração, que se recolhe, sintetiza, reúne (coleta) as motivações, os sentimentos da assembleia. Sua função é dar sentido as celebração do dia.

Terminada a oração da coleta, o (a) comentarista convida a assembleia a sentar-se para ouvir para ouvir a Palavra de Deus.

 

Liturgia da Palavra

As Leituras: as leituras previstas para a celebração dominical são três (exceto missas com crianças), mais o salmo responsorial. A leitura do Evangelho constitui o ponto culminante da liturgia da Palavra, por isso sua proclamação é cercada de gestos de apreço, como a aclamação, e nas celebrações solenes, a procissão com o evangeliário, o uso de velas acesas e o incenso.

 

Algumas Observações Práticas

1.    As pessoas convidadas a proclamar as leituras tenham o cuidado de preparar bem a leitura (treinar antes), para evitar o inconveniente de palavras mal pronunciadas ou trocadas, prejudicando assim o sentido do texto. Os leitores saibam que são porta vozes de Deus, daí a necessidade de aplicar todo o empenho a fim de caprichar na proclamação. Deus expressa seus sentimentos através dos nossos.

2.    Os leitores apresentam-se com roupas convenientes e, durante a proclamação, mantenham postura normal, nem rígido, nem relaxado. Leiam devagar, em, tom suficiente alto, pronunciando bem as palavras.

3.    No final da primeira e da segunda leitura, quem lê conclui, dizendo simplesmente Palavra do Senhor (no singular e não no plural “Palavras do Senhor” ou “Está é a palavra do Senhor”). A mesma observação vale para o final da proclamação do Evangelho: Palavra da Salvação.

4.    Por vezes aparecem membros da equipe da liturgia perguntando se podem substituir alguma leitura (ou o salmo responsorial) por outro texto que não seja da Bíblia. Os textos oficiais da Igreja e o bom senso pedem que a palavra de Deus não seja substituída por outras leituras, nem por textos de concílios, sínodos ou assembleias episcopais.

5.    Pra a proclamação da Palavra sejam utilizados os livros litúrgicos apropriados: Lecionários, Evangeliário ou a Bíblia.

 

Homilia:é uma conversa familiar com a finalidade de aplicar a mensagem de Deus à realidade da assembleia. Ao mesmo tempo que mostra Deus agindo em nossa vida, oferecendo sua salvação, a homilia, nos convida a converter-nos, a voltar-nos cada vez mais para os caminhos de Deus.

O Documento de Puebla afirma que a “homilia é ocasião privilegiada para se expor o ministério de Cristo no aqui e agora da comunidade, partindo dos textos sagrados, relacionando-os com o sacramento (Eucaristia) e aplicando-os à vida concreta” (nº 930).

Profissão de Fé: é a adesão dos fiéis à Palavra de Deus ouvida nas leituras e na homilia. O Creio é um conjunto estruturado de artigos de fé, uma espécie de resumo da fé cristã. Existem dois textos: um, mais longo chamado niceno-constatinonopolitano, porque foi fruto dos concílios de Nicéia (ano 325) e Constantinopla (ano 381). O outro, mais breve e mais utilizado de redação simples e popular, é conhecido como Símbolo dos Apóstolos.

Oração dos Fiéis: (ou oração universal), assim é chamada por incluir os grandes temas da oração cristã de pedido: pelas necessidades da igreja, pelos governantes e a salvação do mundo; pelos oprimidos, pela comunidade local.

“A comunidade cristã reunida em assembleia sagrada, exercendo de maneira relevante seu sacerdócio batismal, pede a Deus que a salvação que se acaba de proclamada se torne realidade na Igreja, no mundo, nos que sofrem e nessa mesma assembleia” (CELAM, A Celebração da Eucaristia).

Com a oração dos fieis termina a liturgia da palavra e começa a liturgia eucarística.

 

Liturgia Eucarística

Há um vínculo muito estreito entre a Liturgia da palavra e a Liturgia eucarística: as duas partes, ou melhor, as duas mesas formam uma unidade, que é a celebração eucarística.

Santo Agostinho afirmava: “Bebe-se o Cristo do cálice das Escrituras como o cálice da Eucaristia”. É O Cristo-palavra que se faz Eucaristia.

Preparação e apresentação das oferendas: os dons apresentados, pão, vinho e água são: “frutos da terra e do trabalho humano”, que vão se tornar o corpo e o sangue de Cristo.

Desde os primeiros tempos da Igreja se costumava misturar um pouco de água com o vinho. Simboliza a incorporação (união) da humanidade a Jesus.

Nesse momento, a assembleia normalmente realiza a coleta do dinheiro e outros donativos e os leva em procissão até o altar, juntamente com o pão e o vinho. Esse gesto deve ser a expressão sincera de comunhão e solidariedade das pessoas que põem em comum o que possuem para partilhar, conforme a necessidade dos irmãos e para atender as necessidades da própria comunidade.

O presidente da celebração, após a apresentação das oferendas (incensação, quando houver) lava as mãos. A esse rito dá-se o nome de lavabo e tem finalidade simbólica. Exprime, para o sacerdote, o desejo de estar totalmente purificado antes de iniciar a oração eucarística, que é o ponto culminante de toda a celebração. Recomenda-se utilizar um belo recipiente e água abundante na qual o sacerdote mergulha as mãos, e uma toalha decente. Afinal, é importante salientar os sinais.

Oração Eucarística: É o ponto central e parte culminante de toda a celebração. Destacam-se os seguintes pontos:

Prefácio: é um canto de agradecimento e louvor a Deus por toda a obra da salvação ou por um de seus aspectos. Conclui-se com o canto do Santo.

Invocação do Espírito Santo: (epiclese). O padre estende as mãos sobre os dons e pede ao Pai que santifique as ofertas “derramando sobre elas o vosso Espírito a fim de que tornem para nós o Corpo e Sangue de Jesus Cristo, vosso Filho e Senhor nosso” (2 ª Oração Eucarística).

Narrativa da Instituição: o padre repete as palavras que Jesus pronunciou na última ceia, ao instituir a Eucaristia (“Estando para ser entregue, e abraçando livremente a paixão, ele tomou o pão, deu graças e o partiu e deu a seus discípulos...”) Depois consagra o vinho. Ao dizer o pão, o padre não deve partir o pão (a hóstia), que é um gesto próprio da fração do pão, reservado portanto para imediatamente antes da comunhão.

Observação: Quando o padre ergue, a Eucaristia e depois o cálice, não está prevista nenhuma aclamação: os fiéis acompanham em silêncio. Só após a consagração, quando o padre diz: “Eis o mistério da fé”, e que a assembleia aclama (ou canta), utilizando uma das formulas do Missal Romano.

Oferecimento da Igreja e inovação do Espírito Santo: a Igreja oferece ao Pai, em ação de graças “o pão da vida e o cálice da salvação” (2ª Oração Eucarística) e pede que “sejamos repletos do Espírito Santo e nos tornemos em Cristo um só corpo e um só espírito” (3ª Oração Eucarística).

Intercessões: por meio delas se exprimem que a Eucaristia é celebrada em comunhão com toda a Igreja, tanto celeste como a terrestre (os santos, a Virgem Maria, os apóstolos e mártires..., o papa, o bispo diocesano, e os demais bispos, ministros e todo o povo de Deus), e se recordam os irmãos e irmãs falecidos.

Doxologia: (louvor final), o sacerdote eleva o pão e o vinho consagrados, corpo e o sangue do Senhor, por quem sobe ao Pai, na unidade do Espírito Santo, o louvor de toda a humanidade, enquanto pronuncia as palavras Por Cristo, com Cristo e em Cristo... A assembleia aclama com solene Amém, de preferência cantado.

Pai-nosso: é uma oração de passagem parara a comunhão. Ensinada por Jesus, esta oração resume os anseios mais profundos do ser humano, tanto em sua dimensão espiritual, quanto material. Quando se canta, tenha-se o cuidado de conservar a letra desta oração bíblica.

Gesto de Paz: mediante um aperto de mão, ou abraço ou beijo, expressamos nosso desejo da comunhão com os irmãos e irmãs e ao mesmo tempo incluímos um compromisso de lutar pela paz e a unidade no mundo inteiro. Cada um cumprimente os que estão ao seu redor.

Fração do pão: o sacerdote, reproduzindo a ação de Cristo na última ceia, partiu o pão em vários pedaços. Este gesto significa que nós, sendo muitos, ela comunhão do único pão da vida, que é Cristo, formando um único corpo. Durante a fração do pão, a assembleia canta ou recita Cordeiro de Deus. Ao partir o pão, o sacerdote coloca um pedacinho no cálice. A explicação mais simples para esse gesto é as duas espécies – pão e vinho (corpo e sangue de Cristo) – Forma uma unidade e fazem parte da mesma realidade: a pessoa de Jesus.

Comunhão: é o momento em que cada membro da assembleia estabelece intima união com Jesus. Alimenta-se do corpo e do sangue do Senhor. Vejo com alegria aumentar o número de comunidades que distribuem a Eucaristia sob as espécies do pão e do vinho. Desse modo, fica mais claro o sinal do banquete eucarístico. Após a comunhão, haja um instante de silêncio, a fim de que cada comungante se entretenha no diálogo com Jesus e pende nos compromissos que brotam da celebração.

Oração após a comunhão: o sacerdote implora os frutos da celebração eucarística e o povo confirma, respondendo amém.

Com esta oração, conclui-se a liturgia eucarística e se passa para os ritos finais.

 

Ritos Finais

Avisos: são importantes para alimentar a vida da comunidade. Evita-se, porém, a leitura de longa lista de comunicados: as pessoas se cansam e se desligam. Também é conveniente que somente uma pessoa (em geral o comentarista) se encarrega de dar os avisos. Se houver homenagens (aniversários, bodas matrimoniais, dia das mães, etc.) é bom que sejam prestadas nesse momento.

Compromisso: o documento da CNBB. Animação da vida litúrgica no Brasil, vê utilidade em uma mensagem “na qual se exorta a comunidade a testemunhar no dia-a-dia a realidade celebrada”. Para isso, pode-se utilizar algum cartaz ilustrativo, ou uma frase resumindo a mensagem central da celebração, ou breve leitura de algum trecho com o tema do dia... (cf.n. 43)

Bênção: simples ou solene. O Missal Romano traz muitas bênçãos solenes para os vários tempos litúrgicos e festas dos santos.

Despedida: é conveniente que as pessoas saiam da celebração cheias de esperança, animadas e decididas a dar testemunho do amor de Deus no meio da sociedade.

Após a despedida o presidente da celebração, não deveria haver preocupação em segurar as pessoas para o “canto final”. Considere interessante que os instrumentais e o grupo de cantores sustentem o canto, enquanto a assembleia se reúne cantando.