Dom Roberto Francisco: A surpreendente matemática e logica da compaixão

Quando o Cardeal Van Thuan foi preso em 1975, no Vietnã, sofrendo uma prisão muita dura, foi interpelado seriamente por seus colegas de cárcere e pelos próprios guardiães que o hostilizavam. Interrogado o porque não abandonava sua fé, que não o libertaria desta situação ele respondeu com firmeza: Abandonei tudo por seguir a Jesus, porque amo os defeito de Jesus. Mais tarde explicou o que entendia pelos defeitos de Jesus: Não ter boa memória, pois perdoa sempre, esquecendo dos pecados das pessoas, como aconteceu com o filho pródigo; não sabe de matemática, portanto não segue a lógica da quantidade e otimização dos recursos, deixa 99 ovelhas para buscar a que se perdeu; desconhece a lógica do custo-beneficio, porque exalta uma mulher que tinha 10 dracmas e perdeu uma, logo faz um alvoroço acordando às vizinhas por tê-la encontrado, fazendo uma festa mais dispendiosa que o valor de uma dracma; Jesus é um péssimo motivador e não sabe nada de marketing, só promete perseguições e dificuldades aos seus seguidores; e finalmente, um economista inconsistente que pretende pagar o mesmo a quem trabalhou desde o princípio da jornada a quem só trabalha uma hora. A forma poética do Cardeal Van Thuan, apresentar a misericórdia divina que o levou a generosidade de uma entrega total como defeitos para a razão mercantil que domina o mundo, nos mostra o fascínio e o encanto de deixar-se tocar e encontrar pela compaixão e ternura do Pai revelado em Jesus. Seguir ao Rosto da misericórdia implica no investimento a fundo perdido de um amor radical, universal e gratuito por todas as pessoas e criaturas. Mas poderíamos perguntar-nos, porque Jesus tem esses defeitos?

Porque é amor (1 Jo 4-16). O amor autêntico, não é racionalista, não mede, não ergue barreiras, não calcula, não recorda as ofensas recebidas e não impõe condições. À medida do amor é amar sem medida. Finaliza nosso querido Van Thuan: espero  que, no fim da minha vida, Jesus me receba como o menor dos trabalhadores de sua vinha. Ficarei feliz ao ver Jesus com os seus defeitos que, graças a Deus são incorrigíveis. Que neste ano consigamos ainda despertar para a alegria do dom e da partilha sem reservas nem compensações mesquinhas. Deus seja louvado!

 

Com informações da CNBB